A Visão Estratégica do CEO da Labora: 5 Perguntas Sobre o Futuro do Trabalho e a Longevidade
January 9, 2026
Sérgio Serapião, CEO da Labora, detalha a urgência da diversidade etária e o novo modelo de carreira em ciclos na Fast Company Brasil.
A longevidade e a aceleração tecnológica estão reescrevendo as regras do mercado de trabalho. Para entender as implicações dessa transformação e o caminho a seguir, a Fast Company Brasil entrevistou Sérgio Serapião, CEO da Labora, que há mais de uma década se dedica ao tema da longevidade produtiva. A entrevista de "5 Perguntas" detalha a visão estratégica da Labora sobre a urgência da diversidade etária e o futuro das relações de trabalho.
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1. A Inevitabilidade da Dimensão Etária na Diversidade
A Labora nasceu da percepção de uma incongruência: o aumento da expectativa de vida versus a cultura corporativa que ainda negligencia o envelhecimento. Serapião destaca que a dimensão etária não é apenas uma pauta social, mas um imperativo de negócios.
"No âmbito das empresas, não dá mais para negar a transformação demográfica. Estamos ganhando 1% de pessoas 50+ a cada ano."
Com o Brasil envelhecendo rapidamente, as empresas que não se adaptarem para atrair e reter talentos maduros enfrentarão dificuldades com a mão de obra. A miopia em olhar apenas para o grupo jovem, que historicamente resolveu os problemas do mercado, não é mais sustentável. A diversidade geracional é a chave para ampliar o pool de talentos.
2. O Combate ao Etarismo: Atualizando o "Chip Cultural"
O primeiro passo para combater o etarismo é reconhecer a cultura jovem-cêntrica que permeia a sociedade e as corporações. O CEO da Labora argumenta que o "chip cultural" está ultrapassado, pois ignora os ganhos que vêm com a idade, como o aprimoramento das soft skills e da inteligência relacional.
Para transformar essa realidade, as empresas precisam de ações práticas:
| Ação Prática | Objetivo Estratégico |
|---|---|
| Diagnóstico de Idade | Medir o gap de contratação: Quantas pessoas 50+ foram contratadas nos últimos 12 meses? O percentual reflete a representatividade desse grupo na população (cerca de 25%)? |
| Conscienti-zação | Atualizar o "chip cultural" e desmistificar o preconceito de que a partir dos 40 anos é "ladeira abaixo". |
| Revisão de Processos de RH | Identificar e eliminar vieses inconscientes em processos seletivos, de carreira e de avaliação. |
3. A Complexidade da Cultura Intergeracional
O desafio de combinar gerações vai além de ter diferentes idades na empresa. A verdadeira cultura intergeracional exige que, em um mesmo nível hierárquico, existam pares com idades diversas.
Além disso, a Labora defende a interseccionalidade do tema. Não se pode tratar a idade como uma "caixinha isolada", pois os marcadores identitários (gênero, raça, etc.) e as vulnerabilidades se exponencializam com a idade. A solução é prototipar e usar a agilidade para criar squads intergeracionais, testando e resolvendo os conflitos reais que surgem no dia a dia.
4. O Conselho para o Profissional 50+: Navegar no Novo
Para o profissional 50+ em busca de recolocação ou reposicionamento, o CEO da Labora oferece um conselho fundamental: a carreira não é mais uma jornada linear. A longevidade, combinada com a aceleração tecnológica, exige a criação de múltiplos ciclos profissionais.
"Essa vai ser a característica da longevidade - a capacidade de navegar no novo." 1
Isso implica a necessidade de aprendizado contínuo (lifelong learning) e a consciência de que será preciso abandonar ou reinventar carreiras devido à tecnologia. O esforço deve ser em manter-se aberto ao novo, seja em uma nova área ou na adoção de novas ferramentas.
5. O Futuro das Relações de Trabalho: Flexibilidade e TaaS
O futuro do trabalho aponta para relações cada vez mais flexíveis e menos rígidas. A experiência do profissional sênior, que antes era descartada, está sendo capitalizada em novos modelos.
Um exemplo é o Talent as a Service (TaaS), onde a experiência é contratada como uma consultoria especializada. Esse modelo permite que o profissional maduro trabalhe para múltiplas empresas, com horários reduzidos, e que as companhias acessem know-how de alto nível de forma eficiente.
A visão da Labora, detalhada na entrevista, é clara: a longevidade é a força motriz para um futuro do trabalho mais flexível, inclusivo e resiliente, onde a experiência é o ativo mais valioso.
Confira a entrevista da Fast Company Brasil “5 perguntas para Sérgio Serapião, CEO da Labora”.
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